Introdução
A crescente complexidade dos mercados de trabalho e a aceleração das transformações tecnológicas colocam a educação técnica e profissional (TVET) no centro do debate sobre políticas educacionais e desenvolvimento econômico. Especialistas defendem que a introdução de TVET desde o ensino primário e secundário contribui para uma formação mais alinhada às necessidades da indústria e para o aumento da empregabilidade entre jovens (THE STAR ONLINE, 2026). Este artigo apresenta uma análise aprofundada sobre por que e como integrar TVET nas escolas, examinando evidências, benefícios, desafios e recomendações de implementação para gestores públicos, educadores e líderes do setor privado.
Contexto e relevância do TVET nas escolas
TVET — sigla para Technical and Vocational Education and Training — refere-se a um conjunto de programas educacionais e formativos voltados ao desenvolvimento de competências técnicas, operacionais e profissionais, muitas vezes com forte ligação ao mercado de trabalho. A discussão sobre a incorporação de TVET no currículo escolar não é apenas técnica: trata-se de uma estratégia de política pública com impacto direto na competitividade econômica, inclusão social e redução do desemprego juvenil.
A reportagem do The Star Online enfatiza que “introducing Technical and Vocational Education and Training (TVET) from primary and secondary school levels lays a solid foundation for nurturing a generation that is both competent and attuned to industry needs” (THE STAR ONLINE, 2026). Em outras palavras, iniciar a formação técnica desde a educação básica prepara estudantes não apenas para ocupações específicas, mas para uma cultura de aprendizagem contínua e adaptabilidade.
O que é TVET e quais são seus componentes essenciais
TVET engloba múltiplos formatos de formação: aulas teóricas integradas ao currículo, módulos práticos em oficinas e laboratórios, programas de aprendizagem dual (combinação de escola e empresa), cursos técnicos de nível médio e cursos de curta duração voltados para competências específicas. Componentes essenciais do TVET nas escolas incluem:
– Currículo baseado em competências: foco em resultados e desempenho mensurável.
– Infraestrutura prática: oficinas, laboratórios, equipamentos e materiais atualizados.
– Formação e valorização de docentes técnicos: professores com experiência prática e pedagógica.
– Parcerias com a indústria: estágios, visitas técnicas, projetos conjuntos e desenvolvimento curricular com empregadores.
– Certificação reconhecida: diplomas e qualificações com validade no mercado de trabalho.
– Avaliação por competências e acompanhamento de trajetórias profissionais.
A articulação desses componentes é determinante para que o TVET gere os resultados esperados em termos de empregabilidade e adequação às demandas do setor produtivo.
Benefícios de introduzir TVET desde o ensino primário e secundário
A inclusão precoce de TVET no sistema educacional oferece múltiplos benefícios, que vão além da simples inserção no mercado de trabalho:
– Desenvolvimento de competências técnicas e transversais: desde habilidades digitais e manuais até pensamento crítico, resolução de problemas e trabalho em equipe.
– Aumento da empregabilidade: certificados e habilidades práticas facilitam a transição para o emprego e reduzem o desalinhamento entre oferta e demanda de trabalho.
– Incentivo à orientação vocacional precoce: alunos identificam aptidões e interesses, reduzindo evasão e realocação tardia de carreiras.
– Fortalecimento da conexão entre escola e indústria: empresas participam da formação, atualizando conteúdos e investindo em capital humano local.
– Promoção de inclusão social e redução das desigualdades: TVET pode ser uma via de acesso a oportunidades econômicas para jovens de contextos vulneráveis.
– Respaldabilidade para inovações tecnológicas: forma profissionais aptos a lidar com tecnologias emergentes e processos produtivos modernos.
Esses pontos tornam claro que a integração de TVET ao currículo escolar não é somente uma melhoria educacional, mas uma política estratégica para o desenvolvimento regional e nacional.
Modelos internacionais e lições aprendidas
Países com resultados sólidos em TVET frequentemente adotam abordagens integradas e de longo prazo. Exemplos notáveis incluem a Alemanha, Suíça, Austrália e Coreia do Sul, que combinaram políticas públicas, financiamento estável e forte cooperação com o setor privado. Lições comuns desses modelos:
– Aprendizagem dual: alternância entre escola e ambiente produtivo, com salários e contratos de aprendizagem que incentivam jovens e empregadores.
– Currículos dinâmicos: revisão contínua por comitês com representantes da indústria para acompanhar inovações tecnológicas.
– Certificação nacional padronizada: facilita mobilidade e reconhecimento de competências.
– Formação contínua de professores: programas que permitem professores técnicos manter contato com práticas industriais.
– Financiamento misto: recursos públicos, contribuição empresarial e incentivos fiscais.
Esses elementos podem ser adaptados ao contexto local, respeitando especificidades culturais, econômicas e institucionais.
Desafios para implementação de TVET nas escolas
Introduzir TVET nas escolas enfrenta desafios concretos, que precisam ser enfrentados com políticas coerentes e investimentos estratégicos:
– Currículo e padrão educativo: integrar conteúdo técnico sem sacrificar competências cognitivas e cidadãs exige revisão curricular e harmonização.
– Capacitação e atração de docentes: docentes de TVET demandam formação técnica e pedagógica; salário e carreira precisam ser competitivos.
– Infraestrutura e equipamento: investimento em laboratórios e equipamentos atualizados é dispendioso e exige manutenção contínua.
– Percepção social e status: o ensino técnico muitas vezes sofre preconceito em relação ao ensino acadêmico; campanhas de valorização são necessárias.
– Financiamento sustentável: programas de TVET exigem financiamento de longo prazo, que não esteja sujeito a cortes temporários.
– Alinhamento com o mercado de trabalho: risco de defasagem entre competências ensinadas e demandas reais se não houver diálogo constante com empregadores.
– Monitoramento e avaliação: falta de indicadores padronizados dificulta avaliar impacto e promover ajustes.
Estes desafios demandam intervenções coordenadas entre ministérios da educação, trabalho e economia, além do envolvimento do setor privado e da sociedade civil.
Recomendações práticas para implantação de TVET na educação básica
Para transformar o argumento em ação, propõe-se um conjunto de recomendações práticas, testadas em diferentes contextos e alinhadas às melhores práticas internacionais:
1. Política nacional e marco regulatório
– Desenvolver uma estratégia nacional de TVET integrada ao sistema educacional, com metas claras e instrumentos de governança.
– Estabelecer padrões nacionais de competência e certificação, com reconhecimento pelo setor produtivo.
2. Currículo modular e progressivo
– Introduzir módulos de habilidades técnicas e digitais desde o ensino fundamental, com progressão até cursos técnicos no ensino médio.
– Manter equilíbrio entre conhecimentos gerais e técnicos, preservando preparação para educação superior quando desejado.
3. Formação e carreira docente
– Criar programas de formação inicial e continuada para professores técnicos, incluindo estágios em empresas e atualizações tecnológicas.
– Estruturar carreira docente atrativa com remuneração compatível e possibilidades de desenvolvimento profissional.
4. Infraestrutura e recursos
– Investir em laboratórios, oficinas e ferramentas digitais, com manutenção programada e parcerias público-privadas para atualização tecnológica.
– Priorizar escolas-piloto em regiões estratégicas para testar e ajustar modelos antes da expansão.
5. Parcerias com a indústria
– Formalizar acordos com empresas para oferta de estágios, mentoria, equipamentos e co-desenvolvimento curricular.
– Criar conselhos setoriais que validem competências demandadas e ofereçam feedback contínuo.
6. Incentivos e financiamento
– Estabelecer linhas de financiamento dedicadas ao TVET, com participação empresarial e incentivos fiscais para empregadores que contratem aprendizes.
– Coordenar recursos entre ministérios e agências de desenvolvimento para sustentabilidade financeira.
7. Avaliação e monitoramento
– Implementar sistemas de avaliação por competências e acompanhar trajetória dos egressos para medir empregabilidade e retorno social.
– Utilizar indicadores como taxa de emprego em 12 meses pós-conclusão, adequação entre ocupação e formação e progressão salarial.
8. Comunicação e valorização social
– Desenvolver campanhas de imagem e orientação vocacional que mostrem trajetórias de sucesso e a importância do TVET.
– Engajar famílias, escolas e comunidades para reduzir estigma e aumentar adesão.
Estas recomendações formam um roteiro pragmático, adaptável a diferentes níveis de desenvolvimento e realidades regionais.
Impactos econômicos e sociais esperados
A adoção ampla de TVET nas escolas pode gerar impactos significativos:
– Redução do desemprego juvenil: ao alinhar competências às vagas disponíveis, a transição escola-trabalho tende a ser mais suave.
– Aumento de produtividade: trabalhadores mais qualificados contribuem para maior produtividade industrial e inovação.
– Dinamização de setores estratégicos: setores com escassez de mão de obra técnica se beneficiam diretamente de oferta qualificada.
– Inclusão econômica: TVET pode reduzir desigualdades, oferecendo trajetórias econômicas estáveis a jovens de baixa renda.
– Estímulo ao empreendedorismo técnico: habilidades práticas podem favorecer a criação de microempreendimentos e serviços locais.
Esses impactos reforçam a relevância de programas que não apenas capacitem, mas também conectem os jovens a oportunidades reais de trabalho.
Exemplos práticos e evidências
Estudos empíricos em contextos com programas sólidos de TVET mostram aumentos de empregabilidade e salários médios superiores para graduados de programas técnicos em comparação a pares sem formação técnica. Modelos de aprendizagem dual, em particular, tendem a apresentar altas taxas de inserção no mercado de trabalho, já que os aprendizes adquirem experiência prática e rede de contatos na própria empresa.
A reportagem do The Star Online destaca a recomendação de especialistas para introdução precoce de TVET, ressaltando que uma base técnica construída na educação básica facilita a formação de profissionais “industry-ready” (THE STAR ONLINE, 2026). Esse posicionamento é consistente com evidências internacionais que associam programas integrados de TVET a melhores transições emprego-educação.
Desenho curricular sugerido para educação básica
Um desenho curricular viável pode incluir:
– Ensino Fundamental (anos iniciais): introdução a projetos práticos, alfabetização tecnológica, atividades maker, resolução de problemas e competências socioemocionais.
– Ensino Fundamental (anos finais): módulos básicos de eletrônica, manutenção, programação básica, produção agropecuária e empreendedorismo, com avaliações por projeto.
– Ensino Médio: opções de itinerários técnico-profissionais com módulos de especialização, estágio supervisionado e certificação intermediária reconhecida pelo setor.
A modularidade permite que estudantes optem por itinerários técnicos sem perder a possibilidade de acesso ao ensino superior, caso desejem continuar seus estudos.
Indicadores para monitoramento e avaliação
Para avaliar a eficácia da implementação, recomenda-se monitorar indicadores como:
– Taxa de conclusão dos programas TVET nas escolas.
– Taxa de emprego dos egressos após 6 e 12 meses.
– Percentual de egressos trabalhando em áreas relacionadas à formação.
– Salário médio comparado ao cohort sem formação técnica.
– Satisfação de empregadores em relação às competências dos contratados.
– Evolução da participação feminina e de grupos vulneráveis nos cursos TVET.
Dados robustos são essenciais para ajustes de política e demonstração de resultados aos financiadores e à sociedade.
Considerações finais e chamadas à ação
A introdução de Educação Técnica e Profissional (TVET) nas escolas, desde a educação básica, representa uma mudança estratégica com potencial de transformar trajetórias de vida, responder às demandas industriais e impulsionar o desenvolvimento econômico. Para que essa transformação ocorra, é necessário um compromisso político de longo prazo, investimentos dirigidos, formação de professores e parcerias efetivas com o setor privado.
Especialistas defendem que preparar uma “geração pronta para a indústria” exige ação imediata e coordenada por parte dos formuladores de políticas e dos atores do setor produtivo (THE STAR ONLINE, 2026). A partir das recomendações apresentadas, gestores públicos e dirigentes escolares podem desenhar programas contextualmente adequados, escaláveis e monitoráveis.
Implementar TVET nas escolas é um investimento estratégico na base do capital humano. Ao combinar currículo por competências, infraestrutura adequada, formação docente e colaboração com a indústria, será possível formar profissionais capazes de contribuir para a inovação, produtividade e inclusão social.
Citação conforme normas ABNT:
No corpo do texto, as referências à reportagem foram feitas conforme ABNT: (THE STAR ONLINE, 2026).
Referência ABNT completa:
THE STAR ONLINE. Introduce TVET in schools to nurture an industry-ready generation, urge experts. The Star Online, 25 jan. 2026. Disponível em: https://www.thestar.com.my/news/nation/2026/01/25/introduce-tvet-in-schools-to-nurture-an-industry-ready-generation-urge-experts. Acesso em: 25 jan. 2026.
Fonte: The Star Online. Reportagem de The Star Online. Introduce TVET in schools to nurture an industry-ready generation, urge experts. 2026-01-25T04:41:00Z. Disponível em: https://www.thestar.com.my/news/nation/2026/01/25/introduce-tvet-in-schools-to-nurture-an-industry-ready-generation-urge-experts. Acesso em: 2026-01-25T04:41:00Z.







